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Andre Vieira

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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.

Missão Árabe à Síria desmente o conto de morticínio pelo governo

25 de Janeiro de 2012, 22:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Grupo de 165 monitores entrega relatório à Liga Árabe no Cairo. Al Dabi, chefe da missão, relatou sabotagem armada contra ônibus civis e militares, oleodutos, redes elétricas e sedes de instituições governamentais

"Homens armadas abrem fogo sobre instituições governamentais em vários Estados da Síria forçando os guardas destas instituições a retribuir o fogo", declarou Mohammed Al Dabi, chefe da Missão Árabe indicada pela Liga Árabe para verificar os acontecimentos na Síria.

Em suas declarações emitidas na capital egípcia, no dia 23, Al Dabi, que comandou uma equipe de 165 homens que circularam por 15 dos 20 Estados do país, informou que os monitores presenciaram explosões que alvejaram instituições governamentais e que os alvos dos atentados são ônibus civis e militares, oleodutos e gasodutos, tanques de combustível, pontes, subestações de eletricidade.

COOPERAÇÃO

Acrescentando que "não foram observadas agressões contra protestos de civis", destacou ainda que "o governo sírio foi cooperativo e forneceu segurança aos integrantes da missão mas não interferiu no trabalho dos monitores", acrescentou.

Al Dabi sublinhou que apesar disso, "o governo sírio retirou todo o armamento pesado e veículos de combate foram retirados das cidades".

"O que foi publicado sobre a missão não afetou o nosso trabalho. A missão não fez adivinhações, especulações ou conceitos ou opiniões pessoais e informou o que viu", esclareceu Al Dabi, que também relatou não haver testemunhado ataques sobre manifestantes que protestavam sobre o governo.

Sobre os números de presos "que a oposição alegou ser de 12 mil, mas não foram apresentados dados sólidos sobre isso". Ele falou que após o decreto de anistia, baixado pelo presidente Bashar Al Assad, o número de presos liberados chegou a 7.614 (mais de quatro mil já haviam sido soltos antes do decreto).

O governo sírio, segundo Al Dabi aprovou a entrada de 147 veículos de imprensa e que o governo atendeu ao pedido da missão e estendeu os vistos dos jornalistas presentes no país. Vale aliás, lembrar que durante uma das reportagens realizadas em Homs, um grupo de jornalistas foi atacado por morteiros disparados por terroristas o que resultou na morte de um jornalista francês e ferimentos em um belga.

Al-Dabi lembrou que alguns setores da mídia criticou duramente a missão. "A mídia precisa basear-se nos fatos", e acrescentou que o informe não era pessoal mas foi realizado com base nas observações de todos os monitores.

"Alguns canais de mídia árabes atacaram a missão por não escrevermos o que eles queriam determinar", disse Al Dabi.

Ele relatou que um dos monitores – o argelino Anwar Maek (que mora na França) – que deu entrevista à Al Jazeera dizendo que "o governo sírio comete uma série de crimes contra seu próprio povo" e ainda que viu "mulheres e crianças sendo massacradas no levante popular" e que deixara o país após ser vítima de uma "esmagadora intimidação", só havia se ausentado do hotel uma única vez, "dizendo-se doente".

Todos os membros da missão estão bem e ninguém foi molestado uma única vez por agentes do governo, declarou Dabi.

Além da mídia, os governos árabes, capachos dos EUA, foram os que mais ficaram incomodados. O Qatar, desde o início do trabalho da missão quis desmontá-la quando viu que ela não corroborava a máquina de fraude da mídia pró-imperial e o representante da Arábia Saudita declarou que retirava os representantes de seu país da missão, pretextando que a "Síria não seguia o protocolo assinado com a Liga Árabe".

NATHANIEL BRAIA

Fonte: Hora do Povo




Entidades repudiam jornalistas da Globo que defenderam assassinato de cientista iraniano

24 de Janeiro de 2012, 22:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Repúdio: Entidades criticam postura de jornalistas da Globo

Representantes de entidades sociais e professores de universidades do estado de São Paulo publicaram, no início da semana passada, carta de repúdio contra comentários feitos pelos jornalistas Caio Blinder e Diogo Mainardi, na edição de 15 de janiero passado, do programa Manhattan Connection, da Globo News.

De acordo com a carta, os comentaristas justificaram o assassinato de cientistas iranianos como uma forma de evitar mais mortes e intimidar outros cientistas que trabalhem para o governo do Irã, a quem chamou de “Estado terrorista”.

O comentaristas da Globo News se referiram ao atentado, com uma bomba, que matou o cientista Mustafa Ahmadi Roshan, de 32 anos, em Teerã, capital iraniana. Roshan é o quinto cientista nuclear iraniano morto em um atentado terrorista nos últimos dois anos.

Leia a carta na íntegra:

Srs. Diretores da Rede Globo

Causa profunda surpresa, indignação e perplexidade assistir a um programa de vossa emissora em que jornalistas, comentaristas e palpiteiros assumam a defesa explícita da prática de assassinatos como meio válido de fazer política. Isso foi feito abertamente, no dia 15.01.2012, por Diogo Mainardi e Caio Blinder, ambos empregados da Rede Globo (o trecho em questão pode ser acessado pelo :

Depois de fazer brincadeiras de gosto muito duvidoso sobre a sua suposta condição de agente do Mossad (serviço secreto israelense), Caio Blinder alegou que os cientistas que trabalham no programa nuclear iraniano são empregados de um "estado terrorista", que "viola as resoluções da ONU" e que por isso o seu assassinato não constituiria um ato terrorista, mas sim um ato legítimo de defesa contra o terrorismo. Trata-se, é óbvio, de uma lógica primária e
rudimentar, com a qual Mainardi concordou integralmente.

Parece não ocorrer a ambos o fato de que o Estado de Israel é liderança mundial quando se trata em violar as resoluções da ONU, e que é acusado de prática de terrorismo pela imensa maioria dos países-membros da entidade. Será que Caio Blinder defende, então, o assassinato seletivo de cientistas que trabalham no programa nuclear israelense (jamais oficializado, jamais reconhecido mas amplamente conhecido e documentado)? Ambos – o "agente do Mossad" Caio Blinder e Diogo Mainardi – se associam ao evangelista fundamentalista estadunidense Pat Robertson, que, em abril de 2005, defendeu em rede nacional de televisão, com "argumentos" semelhantes, o assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez, provocando comentários constrangidos da Casa Branca.

Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil. Isso é inaceitável.

Atenção: não defendemos, aqui, qualquer tipo de censura, nem queremos restringir a liberdade de expressão. Não se trata de desqualificar ideias ou conceitos explicitados por vossos funcionários. O que está em discussão não são apenas ideias. Não são as opiniões de quem quer que seja sobre o programa nuclear iraniano (ou israelense, ou estadunidense…), mas sim o direito que tem uma emissora de levar ao ar a defesa da prática do assassinato, ainda mais feita por articulistas marcadamente preconceituosos e racistas.

Em abril de 2011, o mesmo "agente do Mossad" Caio Blinder qualificou como "piranha" a rainha Rania da Jordânia, estendendo por meio dela o insulto às mulheres islâmicas. Mainardi é pródigo em insultos, não apenas contra o Islã mas também contra o povo
brasileiro.

Se uma emissora do porte da Globo dá abrigo a tais absurdos, mais tarde não poderá se lamentar quando outros começarem a defender, entre outras coisas, a legitimidade de se plantar bombas contra instalações de vossa emissora por quaisquer motivos, reais ou imaginários – por exemplo, como forma de represália pelas íntimas relações mantidas com a ditadura militar no passado recente, pela prática de ataques racistas contra o Islã e o mundo árabe, ou ainda pelos ataques contumazes aos movimentos sociais brasileiros e latino-americanos.

Manifestações como essas do "agente do Mossad" Caio Blinder e Diogo Mainardi ferem as normas mais elementares da convivência civilizada. Esperamos que a Rede Globo se retrate publicamente, para dizer o mínimo, tomando distância de mais essa demonstração racista de barbárie. Agradecemos a atenção.

Assinam os representantes e instituições :

- Hamilton Otavio de Souza – Editor Chefe da Revista Caros Amigos
- José Arbex Jr. – Chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP
- Fabio Bosco – Central Sindical e Popular
- Francisco Miraglia Neto – Vice-Presidente Regional do ANDES-SN
- Reginaldo M. Nasser – Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da PUC-SP
- Marco Weisheimer – Editor da Carta Maior
- Socorro Gomes – Presidente do Centro Brasileiro para a Paz
- Soraya Misleh – Diretora de Imprensa do Instituto da Cultura Árabe
- Soraya Smaili – Vice-Presidente da Associação dos Docentes da UNIFESP
- Boris Vargaftig – Professor Titular da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências
- Isabelle Somma – jornalista e doutoranda de Historia Social da USP

Fonte: Vermelho




Candidatos republicanos prometem ações contra Cuba

24 de Janeiro de 2012, 22:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Página 13

Gingrich: buscaria derrocar os Castro com operação encoberta; Romney: resolveria o problema migratório com “autodeportações” Romney e Gingrich confrontam-se em debate na Florida

Por Antonio Maria Delgado el Nuevo Herald (24/01/12)

Os candidatos republicanos Mitt Romney e Newt Gingrich pronunciaram na segunda-feira, 23, duras palavras contra o governo cubano, o primeiro dizendo que celebraria a notícia de um eventual falecimento de Fidel Castro e o segundo assegurando que se for presidente promoveria ativamente uma mudança de regime em Havana.

Ambos os candidatos presidenciais, que participavam do primeiro debate das primárias da Florida, também dedicaram grande parte de suas intervenções para atacar-se mutuamente, ambos afastando-se ainda mais do jogo limpo na cada vez mais acirrada contenda para a indicação do Partido Republicano.

Ao ser perguntado sobre o que faria se fosse presidente e recebesse uma chamada às 3 da madrugada anunciando-lhe o falecimento de Fidel Castro, Romney disse que receberia a notícia com agrado.

“Em primeiro lugar, a gente deve agradecer aos céus se Fidel Castro é levado de volta ao seu Criador”, disse o ex-governador de Masssachussetts no debate transmitido desde Tampa.

“Em segundo lugar, teremos de trabalhar bem de perto com a nova liderança em Cuba para tratar de ajudá-los a se trasladar a uma maior abertura que a que tinham no passado”, acrescentou.

Porém Gingrich disse dissentir da resposta de seu rival.

“Eu não creio que Castro vai se reunir com seu Criador. Creio que irá a outro lugar”, disse o ex-presidente da Câmara de Representantes, que aduziu que os Estados Unidos não deveriam ficar de braços cruzados esperando que isto ocorra.

“Creio que a política dos Estados Unidos deveria ser a de buscar agressivamente a maneira de derrocar o regime. E de fazer tudo o que possamos fazer para respaldar esses cubanos que querem a liberdade. […] Eu trataria de implementar uma política bastante agressiva […] contactando os elementos mais jovens do regime para dizer-lhes que não têm futuro com ditadura porque uma presidência de Gingrich não tolerará quatro anos mais desta ditadura”, acrescentou.

Quando se lhe perguntou se executaria essa política com práticas encobertas ou descobertas, Gringrich aduziu: “Me refiro a fazer uso de todos os ativos disponíveis nos Estados Unidos, inclusive o uso de operações encobertas apropriadas para maximizar a dissidência”.

Ambos os candidatos fugiram da pergunta sobre o que fariam se um eventual falecimento de Castro propiciasse um êxodo de cubanos desejando ingressar nos Estados Unidos.

O senador Rick Santorum, por sua parte, disse que o embargo imposto contra Havana tem sido uma importante política para tratar de proteger o hemisfério.

“Estas políticas devem continuar até que os Castro morram e depois nós deveríamos deixar claro que se querem montanhas de ajuda financeira, se querem uma relação normalizada, se querem melhorar sua economia, se querem a oportunidade de ter liberdade, que os Estados Unidos então estariam dispostos a sair em sua ajuda”,assinalou.

Porém nem todos os candidatos que participaram do debate disseram que estão de acordo com a adoção de uma postura mais rígida contra Cuba.

O congressista Ron Paul foi a voz dissonante e afirmou que faria bem ao contrário, promovendo a aproximação entre ambos os países.

adelgado

Fonte: Diário El Nuevo Heral




Israel prende e tortura implacavelmente crianças e adolescentes palestinos

24 de Janeiro de 2012, 22:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

From: Beatrice
From: Giovanni

THE GUARDIAN—LONDRES, 23/01/2012

UK raises concerns over Israel’s treatment of Palestinian children

Tradução do Inglês: Giovanni G. Vieira

REPASSEM. Vale a pena ler.

Comentário do tradutor: Importante, muitíssimo importante por se tratar de um libelo, de um grito por justiça de organizações internacionais de Direitos Humanos, organizações e partidos progressistas e de esquerda e, acima de tudo, do próprio povo palestino contra os crimes nefandos e inomináveis das autoridades civís e militares do Estado sionista judaico – Israel – contra homens, mulheres ( jovens e idosos) e no caso em foco contra crianças e adolescentes palestinos, cujo único "crime" é a luta incessante, corajosa, brava e destemida em prol da Pátria Palestina – Livre, Independente e Soberana.

Israel fala muito de holocausto nazista, de torturas e crimes praticados pelo Terceiro Reich contra o povo judeu, mas põe em prática e de forma implacável, sem o menor resquício de arrependimento ou vergonha, os mesmos métodos contra o bravo, expoliado e sofrido povo palestino.

VIVA O POVO PALESTINO!
VIVA O ESTADO PALESTINO!
Ciao,
Giovanni




Fragmentos e destroços do Pinheirinho, da Luz, da barbárie tucana

24 de Janeiro de 2012, 22:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

http://www.facebook.com/#!/pedrao.nogueira/posts/10150493857536691

Fragmentos e destroços do Pinheirinho, da Luz, da barbárie tucana

Por Pedrão Ribeiro Nogueira

Ainda estou em choque. Com aquela sensação de que qualquer risada, ou mudança de assunto, significa um calar gigantesco sobre a barbárie.

São Paulo está há 17 anos dominado por uma gangue e por seus pastores alemães, rotweillers e pitbulls. Peço perdão. Não são cães – eles não tem tamanha vocação pra crueldade. São monstros. São Paulo não é conservadora. É retrógrada, é atraso. É morte.

Tento fiar minhas esperanças, a cada desânimo que me abate, na dialética da resistência que mostra que quanto maior a pancada, maior a revolta. Me apoio nas pessoas que conheço, nas novas ferramentas de comunicação que ajudam na nossa mobilização. Na fé ateia de que as coisas podem ser melhores. Nas pedras que foram atiradas contra a PM e a GCM armadas. Nos paus que foram utilizados para destruir carros da opressão bruta.

Procuro não internalizar demais tudo que acontece, tudo que vi, tudo que não vi, tudo que li e todas violências que não serão gritadas. No mar de sangue proposto pelo Estado, é difícil escolher o que será contado.

Sonhei, nessa noite, que era espancado com impressionante realismo, senti cada dor do pesadelo, inocente de que aquilo era fruto da minha cabeça. Criaturas metade homens, metade gorilas, invadiam minha casa, estilhaçando grandes objetos de vidro no chão, depois me levantavam e me arremessavam contra os estilhaços e me deixavam desacordado à ponta-pés. Muitos me observavam, mas eu resistia, sentindo a dor como se fosse verdade, calado a cada bica que tomava. Acordava algumas horas depois, ferido, cheio de cortes e sangue, e procurava meus amigos e familiares, assistência médica. Mas não achava nada.

Estou completamente dilacerado.

Domingo, saí de meu cotidiano de classe média indignada, e fui até o Pinheirinho, junto com 20 ativistas, revoltados, companheiros e companheiras, articulados pela internet para ir até o Pinheiro destilar toda nossa impotência e solidariedade. A nossa nave, alien e estranha, chegou na porta da barbárie passando por carros queimados e gritos de “Vai, Zé Povinho”. No Brasil, a sua classe social, o seu nascimento, as suas roupas, são um testemunho gritante da desigualdade. Aceito cada ofensa, cada olhar estranho e desconfiado, resignado e esperançoso de que um dia não seja mais assim.

Vi as tropas nazistas, legiões de porcos desalmados, enfileirados, barricando as pessoas de suas casas e de sua dignidade. Animais podres e cruéis. Meu ódio pela polícia já não é mais revolta adolescente. É um refinado, históricamente construído e bem montando sentimento de repúdio, nascido de bombas, balas e violência, de relatos e consciência.

Muita gente se aglutinou na cerca do parque dos refugiados, que margeia a comunidade do Pinheirinho, para ver o ronco do trator, para ver o corte da luz do local, pra ver a brutalidade. A observação foi respondida com uma latinha de gás lacrimogêneo da Condor. Castro Alves choraria ao ver sua imagem poética transfigurada em ferramenta do ódio contra os bisnetos dos mesmos negros que um dia se insurgiu para defender.

O que se seguiu foram cenas de massacre. A polícia e a GCM dispararam a esmo contra a tenda que abrigava a triagem. Crianças choravam, velhos de cadeira de rodas eram empurrados catatônicos pra longe do perigo. Algumas bombas explodiram do meu lado. Xinguei um policial de covarde, que me apontou, me marcando. Divido aqui os relatos de Jaque, Paloma e Victor, que estavam comigo nesse momento, por economia. Pela angústia de reunir fragmentos do absoluto absurdo.

Jaque:

Victor:

http://victorsas.wordpress.com/2012/01/23/o-que-vi-no-pinheirinho-ou-sobre-a-nossa-canudos-contemporanea/

Paloma:

http://www.facebook.com/notes/paloma-franca-amorim/um-relato-sobre-a-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse-da-comunidade-do-pinheirinho-em-s%C3%A3o-jos%C3%A9/312161325493247

Desde que comecei a militar de verdade, em 2005, noto um recrudescimentona violência policial na minha terra, São Paulo. Hoje não consigo mais ouvir um rojão, bombinha ou traque explodindo sem ficar assustado, sobressaltado. O som é por demais parecido com as bombas que estouraram ao longo desses anos perto de minha perna, de meus amigos, de meus queridos desconhecidos. Parecido demais com o som da arma de calibre 12 que dispara inofensivas balas de borracha, que matam crianças.

Gente morreu, viu gente? A PM, o Estado, em conluio com os hospitais da cidade, estão fazendo agora uma operação para desaparecer com os corpos de pelo menos quatro pessoas. Militantes se agonizam, se agilizam, se juntam na cidade para investigar o que aconteceu, já que não se pode mais contar com a imprensa e com o governo. Existe uma guerra não-declarada e o principal mérito dos capangas do Estado é fingir que ela não existe, é contar que seremos sempre uma pacífica massa de revoltados.

Penso no que está acontecendo na Cracolândia, nas trevas que justificam que, diante da população mais frágil de nossa sociedade, lidemos com isso coletivamente com bombas e violência. Com saculejo e prisão. Com jaula.

Quanta ideologia é necessária pra agirmos com naturalidade diante disso? Pra continuarmos impassíveis na nossa rotina? Pra não nos explodirmos em revolta cientes de que o silêncio pode significar nossa morte? Sinto que minha tranqüilidade de zona oeste pode ter seus dias contados, que um dia meu pesadelo se concretize comigo.

De noite, no domingo, no sindicato dos metalúrgicos do SJC, conversava com alguns amigos. Haviam voltado da guerra civil no Pinheirinho mais tarde que nós – que saímos fugidos das bombas e da possibilidade de ver nossos carros transformados em barricadas (um destino justo, ainda que indesejável por motivos financeiros).

Discutíamos o enquadro que eles tomaram, classificado como “sussa”. Apenas haviam sido revistados e o PM disse: “Nós temos uma bomba especial pra vocês, subversivos”. Isso é o “sussa” em tempos sombrios. Discutimos longamente sobre como seria bom ter super-poderes nessa hora. Parar o tempo, soltar fogo, voar. Poder de parar a barbárie. Sonho de não-impotência. Mas quanta fraqueza cerca a gente, é inominável.

Lembro agora de ver um amigo sendo espancado por tirar fotos. Foi prontamente socorrido por mulheres que tinham perdido tudo e salvo de mais violência policial. Depois uma chegou em mim e disse: “Nós fomos pra cima deles, não vamos deixar que nada aconteça com vocês”. Calei silencioso, desesperado. Havia acabado de ver a maior solidariedade do mundo.

Lembro do relato de uma amiga. Viu uma senhora desesperada entre os escombros da batalha. Parou pra conversar. “Perdi tudo. Minha casa, minha família, meus amigos…”. As duas se encararam por um instante calado, lacrimejando. O momento foi dispersado por gás lacrimogêneo. As duas se perderam, então, também. Cada uma com seu aniquilamento.

Não consigo tirar da cabeça, ainda bem, a lágrima das mães que corriam com seus filhos embaixo das asas, caindo dos braços. Das pessoas que passavam chorando, assustadas, carregando as poucas tralhas que conseguiram salvar. É sobrepujante o sentimento de dor que aquele lugar concentrou. Alimento a revolta dentro de mim, sem cogitar possibilidade de desanimar. Afasto a depressão, o desânimo. A barbárie pode ter como efeito colateral o desengano, o ceticismo e o cinismo. Mas ainda vejo, cafona e sonhador, o amor, a solidariedade, a nossa força de reinventar tudo que é podre e velho, pois nada podem bombas onde sobra coração, já cantavam os derrotados e valentes espanhóis na década de 30.

A situação toda até seria menos caricata se o terreno não pertencesse a Naji Nahas, mega-investidor corrupto e safado, daqueles velhos charuteiros, estereótipo da fartura que tira comida de tantas bocas. Estereótipo perfeito de vilão, de milionários que cospe na criadagem. Vejam vocês mesmos: http://colunaesplanada.com.br/wp-content/uploads/2011/12/nahas.jpg

Penso em que direito humano não foi violado ali. Só consigo achar, com muito esforço, que o direito à propriedade privada foi mantido. Está na hora de tirar isso da declaração universal de direitos humanos, da nossa constituição. Não consigo imaginar um pedaço de terra no mundo que valha uma vida, 9 mil vidas. Propriedade privada nunca foi direito, senão privilégio.

A inoperância da esfera federal só reforça que não adianta mudar o carrasco nas eleições. É preciso destruir essa guilhotina de pobres e subversivos que se proclama Estado Federativo Terrorista do Brasil.

Está mais claro do que nunca, para quem tem olhos e sabe ver, a perversidade do sistema social que nos foi imposto sem pedir permissão. Está na hora de começar de novo. Ou viver mais milhares de Pinheirinhos. Por uma Nova Luz que não seja alicerçada nas Velhas Trevas. Por uma São Paulo, um Brasil, um mundo, onde seja novamente possível ser humano. Porque eu não estou conseguindo mais… Espero que as minhas ridículas lágrimas se transformem em mar, porque elas não são nada perto do oceano de tristeza das pessoas que perderam tudo, menos sua inextirpável dignidade. Venceremos.